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O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais do mundo, enquanto o México, segundo colocado nesse ranking, mata quatro vezes menos. Somente no ano passado, em 2014, 134 travestis e transexuais foram assassinadas no território brasileiro, o que representa mais de 50% de todas as pessoas trans que foram mortas mundialmente no mesmo ano.

A população brasileira tem uma expectativa de vida que gira em torno dos setenta anos de idade (IBGE) e, nesse mesmo contexto, as travestis e transexuais só conseguem usufruir de trinta, os outros quarenta anos são tirados delas. Vivem menos da metade de uma vida julgada “normal”.

90% das travestis e transexuais brasileiras estão inseridas na prostituição, de acordo com a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). Quando jamais, em toda a história brasileira, existiu uma maioria esmagadora, de qualquer outro grupo, empurrada dessa forma na prostituição.

A USP divulgou, a partir de uma pesquisa feita pelo Grupo de Estudos em Direito e Sexualidade, que as travestis e pessoas trans brasileiras possuem, em média, 30% de recusa em processos de retificação de registro civil (mudança de nome na justiça), quando, nos outros casos, essa recusa é presente em apenas 15% das petições. Sendo duas vezes mais difícil para os considerados “desviantes de gênero” ter o direito à própria cidadania e autonomia.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), realizou mais de 28 mil testes de HIV de fluido oral em 2014, durante quase um ano, com o apoio de 50 ongs. Os resultados obtidos apontaram que, das populações-chave, a taxa de prevalência do HIV no grupo de travestis era de 12,5%, no de transexuais 6,4% e na população geral brasileira essa taxa era de 0,4%.
Não há uma lei de identidade de gênero aprovada no Brasil. O PL João W. Nery não é debatido ou sequer considerado.

Tudo isso me faz lembrar que, há alguns dias, em terras estadunidenses, foi aprovado o casamento igualitário e muito se comemorou com a bandeira do arco-íris (tão correlacionada ao orgulho gay). Hoje, 03/07, venho participar de uma campanha nacional pela visibilidade trans/travesti ao colocar a bandeira trans na foto do meu perfil.
Aumente a voz das travestis e pessoas trans, participe você também, independente de ser trans ou não.
Pra acessar o aplicativo (podem não funcionar no celular):
http://btrans.betafoto.com/?t=btrans%2F ou http://messica.codes/transflag/

Por Sofia Favero Ricardo ~Travesti Reflexiva~

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Sobre Camila B Hassen

Comunista, socióloga, antropóloga e jornalista. Ateísta por convicção e Atleticana por paixão.
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