#NãoSomosMacacos

Há uns quatro ou cinco anos, mais ou menos, conheci um rapaz que é amigo de uns amigos meus. A história desse dia é bem peculiar, e muito engraçada. Pois o sujeito estava pendurado nos galhos de uma árvore no Parque Municipal de BH. Desse dia em diante ele ficou apelidado de “Macaco”.

E é engraçado o modo com às vezes eu falo dele pra alguém, “esse conhecido meu, o Macaco…” e a pessoa logo me chama de racista. Não entendo porque acham que eu sou racista só porque chamamos ele de Macaco! Não vejo racismo nenhum nisso. Eis uma foto do Macaco:

Acredito que o racismo está muito mais na cabeça da pessoa que, ao ouvir a palavra “macaco” automaticamente já associa a uma pessoa negra.

Acredito que o racismo está muito mais na cabeça da pessoa que, ao ouvir a palavra “macaco” automaticamente já associa a uma pessoa negra.

Agora alguma agência muito “inteligente” no Brasil resolveu criar essa “brilhante” campanha com a hashtag #SomosTodosMacacos, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais. O que ressuscitou uma antiga discussão entre evolucionistas e criacionistas, onde os primeiros se gabam por terem evoluído dos macacos.

Não consigo expressar a minha repulsa por esse tipo de pensamento. Das duas partes, aliás. Não vou nem comentar a questão do criacionismo, porque não acredito que em pleno século XXI ainda exista quem acredite nesse tipo de fantasia. E com relação aos evolucionistas, só se equivocaram quanto à origem da nossa espécie que (ao contrário do que muita gente diz) não evoluiu do macaco. A verdade é que temos, sim, um ancestral em comum com os macacos na escala evolutiva, temos 98% de compatibilidade genética com chipanzés, mas NÃO EVOLUIMOS DOS MACACOS E NÃO SOMOS MACACOS. Somos todos primatas, mas com milhões de anos de diferença na evolução.

Ficou claro que na agência que criou essa de #SomosTodosMacacos faltou um pouco de aulas de biologia. Somos seres humanos. E o que nos diferencia uns dos outros não é a cor da pele, a orientação sexual, a etnia, etc… é justamente a mentalidade de cada um. Obviamente alguns ainda têm a mentalidade muito retrógrada e não conseguem lidar com pessoas diferentes, de cores diferentes, ideias diferentes, países diferentes. E se fecham em seu mundinho superficial onde as aparências valem muito mais do que os ideais, os pensamentos e as escolhas de cada um.

“Macaco” não é mais só uma palavra, um animal qualquer. Já ficou marcado como uma expressão racista. É como um machista chamando uma mulher de “Cachorra”. Ou um homossexual de “veado”. Se uma mulher é chamada de “piranha”, não vou querer ser chamada também. Não somos macacos, assim como não somos cachorras, galinhas, vacas, piranhas, etc… Sou humana e quero ser respeitada como tal, independente da cor da minha pele, minha orientação sexual, etnia, etc… Eu não sou macaco, você não é macaco. Quem fala esse tipo de coisa é babaca, sem noção, sem educação e com a mentalidade muito atrasada, por sinal.

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Sobre Camila B Hassen

Comunista, socióloga, antropóloga e jornalista. Ateísta por convicção e Atleticana por paixão.
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