PARADOXO

a chuva caindoEscrevo agora porque chove. Porque minha alma chora e meus sonhos mofam, recostados nas grades velhas da janela do meu quarto. E porque, enquanto escrevo, meus pensamentos dançam bem diante dos meus olhos, como se eu os tirasse aos pouquinhos das pressões da minha cabeça e depositasse cuidadosamente no caderno em que escrevo.

Talvez ninguém, nem mesmo eu, chegue a ler isso algum dia. Mas escrever agora é tudo o que eu tenho e eu sigo bordando minhas desajeitadas letras nas linhas quase infinitas. A chuva vai encharcando lentamente a terra lá no quintal e eu sinto o cheiro da poeira que sobre quando a primeira chuva cai, quando não choveu por muito tempo.

São tardes assim que me fazem pensar em todo o tempo que eu já perdi e o que isso significa. As horas intermináveis, o sofrimento das noites de insônia, as lágrimas mais amargas. Será que valeu a pena ou foi tudo em vão? No fim das contas cá estou eu novamente, imersa numa tarde que parece não ter fim, ou solução. Ainda tentando encontrar qualquer sentido para tudo o que acontece na minha vida, para tudo o que eu escrevo aqui. Não sei se encontro.

Quero muitas coisas, é verdade. Poder voltar no tempo e consertar os erros do passado. Encontrar-me algum dia num lugar que eu possa chamar de meu. Há muito sentimento guardado no meu coração. E muitas vezes antes eu não soube lidar com isso. Percebo que ainda não sei exatamente como. Mas isso não me impede de continuar tentando.

Quero ele, e quero muito. Disso não temos duvidas. Sabemos que nos gostamos e a empolgação toma conta dos nossos corpos e se eleva pelo espírito, êxtase e emoção. Não sei mais hoje em dia se sonho. Sei que gostaria muito de poder continuar sonhando, por mais que agora isso me pareça bastante ridículo, estando assim tão perdida e precisando me encontrar. Sonhar é como ter asas de cera que nos permite voar bem alto, bem perto do sol, para então derreterem com o calor e nos derrubar de volta no chão.

Desejo encontrar o meu caminho e que você também possa encontrar o seu. Porque no fim das contas estamos todos igualmente perdidos nas agruras do mundo e procuramos, muitas vezes sem sucesso, nos encontrar. Eu encontrei você e agora podemos nos ajudar também a nos encontrarmos.

Como dizia o Caetano, “o quereres e o estares sempre a fim do que em mim é em mim tão desigual faz-me querer-te bem, querer-te mal. Bem a ti, mal ao quereres assim infinitamente pessoal”.

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Sobre Camila B Hassen

Comunista, socióloga, antropóloga e jornalista. Ateísta por convicção e Atleticana por paixão.
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